22 de janeiro de 2026
Tecnologia
4.5 min leitura

Automatização de armazéns e robótica na Europa: tendências, benefícios e conselhos de implementação

A escassez de mão de obra, o aumento dos volumes de e-commerce e a necessidade de preparar pedidos cada vez mais rápido estão a impulsionar a automatização de armazéns e o uso de robôs em toda a Europa. Enquanto os analistas antecipam um crescimento acelerado, dados de organizações internacionais e de inquéritos à indústria mostram como estas tecnologias já estão a remodelar a logística...

Logifie Team

Logifie Team

Especialistas em tecnologia logística

Fotografia de um armazém automatizado na Europa com robots móveis autónomos a transportar paletes por corredores estreitos.

Em muitos mercados europeus, os responsáveis por operações logísticas lidam ao mesmo tempo com picos de volume, pressão sobre prazos de entrega e dificuldade em recrutar operadores de armazém. A automatização e a robótica – desde sistemas de armazenagem automática e classificadores até frotas de robots móveis – oferecem uma forma de aumentar a capacidade sem depender exclusivamente de mão de obra adicional. No entanto, projetos deste tipo exigem investimento significativo, preparação cuidadosa e um forte alinhamento entre operações, TI e finanças. Este artigo resume as principais tendências e apresenta linhas orientadoras para avaliar e implementar automatização em armazéns europeus.

Ilustração de diferentes tecnologias de automatização num armazém: sistemas AS/RS, tapetes transportadores, robots paletizadores e braços robóticos de picking.
Uma solução moderna de automatização combina várias tecnologias – AS/RS, robots móveis, paletizadores e sistemas de picking – adaptadas ao perfil de fluxos do armazém.

Tendências de mercado e adoção

De acordo com a International Federation of Robotics (IFR), as vendas de robots de serviço profissionais cresceram 30 % a nível mundial em 2023. De mais de 205.000 unidades vendidas, 33.918 foram instaladas na Europa, enquanto a região Ásia-Pacífico continuou a dominar em volume. Mais de metade dos robots de serviço vendidos foram utilizados em aplicações de transporte e logística, segmento em que as vendas cresceram 35 %. A IFR destaca que a escassez de mão de obra é um dos principais fatores por detrás desta procura e que cerca de 44 % dos fabricantes de robots de serviço têm sede na Europa.

Um inquérito global da McKinsey a empresas industriais indica que operadores de logística e de fulfilment esperam que a automatização represente 30 % ou mais das suas despesas de capital nos próximos cinco anos. O interesse é particularmente elevado entre retalhistas e empresas de bens de grande consumo, seguido pelo setor alimentar e de bebidas. Os principais casos de uso referidos são a movimentação de materiais, a paletização, o picking, a triagem e a inspeção de qualidade. Embora os entrevistados destaquem melhorias em capacidade, velocidade e qualidade, apontam o investimento inicial elevado e a falta de experiência interna como obstáculos significativos à adoção.

Benefícios para armazéns europeus

Quando bem dimensionada e implementada, a automatização pode responder simultaneamente a vários desafios: falta de mão de obra, limitação de espaço e requisitos crescentes de nível de serviço. Entre os benefícios mais citados por operadores europeus contam-se:

  • Aumento de produtividade e throughput: sistemas de armazenagem automática, transportadores e robots móveis reduzem tempos de deslocação e permitem preparar mais linhas de encomenda por hora e por metro quadrado de armazém.
  • Menor dependência de mão de obra: em contextos em que é difícil recrutar e reter operadores, a automatização assume tarefas repetitivas e fisicamente exigentes, o que permite utilizar a equipa em funções de maior valor acrescentado, como gestão de exceções ou melhoria contínua.
  • Melhor qualidade e segurança: processos mais padronizados reduzem erros de picking, envios incorretos e danos em produtos, ao mesmo tempo que diminuem o risco de acidentes associados à circulação de empilhadores e à movimentação manual de cargas pesadas.
  • Otimização de espaço: soluções de armazenagem de alta densidade permitem aumentar a capacidade sem expandir a área construída – um ponto crítico em localizações onde o custo do solo é elevado ou a expansão física é limitada por regulamentos.
  • Maior visibilidade operacional: sistemas automatizados fornecem dados detalhados sobre stocks, tempos de ciclo e gargalos, facilitando a tomada de decisões sobre dimensionamento de equipas, janelas horárias e investimentos futuros em capacidade.

Desafios e riscos a considerar

Apesar dos benefícios, a automatização não é uma solução automática para todos os problemas. Sem um desenho cuidadoso, pode introduzir rigidez, reduzir a flexibilidade e criar dependências difíceis de gerir. Alguns riscos comuns merecem atenção especial por parte dos responsáveis logísticos:

  • Investimento inicial elevado: projetos de automatização exigem um compromisso de capital significativo; alterações nos volumes ou nas relações contratuais podem prolongar o período de retorno sobre o investimento para além do previsto inicialmente.
  • Integração de sistemas complexa: o novo equipamento deve integrar-se de forma fluida com o sistema de gestão de armazéns (WMS), o sistema de gestão de transportes (TMS), o ERP e outras aplicações; uma integração deficiente pode gerar retrabalho e atrasos em vez de ganhos de eficiência.
  • Dependência do fornecedor: algumas soluções são fortemente proprietárias; antes de assinar contratos de longo prazo, é crucial avaliar a solidez do fornecedor, as condições de manutenção, a disponibilidade de peças e a sua visão tecnológica para os próximos anos.
  • Gestão de mudança insuficiente: automatizar implica alterar tarefas, responsabilidades e perfis de função; sem um plano de comunicação, formação e envolvimento das equipas, o projeto pode enfrentar resistência interna e não entregar todos os benefícios esperados.

Recomendações para a implementação

  • Começar pelos objetivos de negócio: clarificar se a prioridade é aumentar a capacidade, reduzir o custo por encomenda, melhorar o nível de serviço, mitigar o risco de escassez de mão de obra ou uma combinação destes fatores, antes de selecionar tecnologias concretas.
  • Otimizar processos atuais: estabilizar e normalizar processos manuais, melhorar a qualidade dos dados de stock e mapear gargalos reais; automatizar um processo mal desenhado significa apenas tornar os problemas mais rápidos e caros.
  • Adotar uma abordagem faseada: iniciar com pilotos ou módulos de menor escala – por exemplo, uma zona de picking automatizada – e alargar o escopo à medida que os resultados se confirmem, reduzindo o risco de um projeto único e demasiado abrangente.
  • Analisar o custo total de propriedade: incluir no business case não só o investimento inicial, mas também custos de manutenção, software, energia, formação de equipas e possíveis períodos de paragem durante a implementação e ramp-up.
  • Envolver as equipas operacionais: integrar chefes de turno, supervisores e operadores na fase de conceção para validar fluxos de trabalho, identificar riscos e fomentar a aceitação do novo sistema desde o início.
  • Planear cenários de contingência: garantir que existem procedimentos para operar em modo degradado – por exemplo, com maior componente manual – em caso de falha dos sistemas automatizados, de incidentes de TI ou de cortes de energia.

Conclusão

A automatização de armazéns e a robótica estão a passar de experiências pontuais para se tornarem uma alavanca estratégica nas operações logísticas europeias. Quando ancorados em objetivos claros, dados fiáveis e uma integração técnica robusta, estes projetos podem aumentar de forma significativa a produtividade, a resiliência e a segurança das operações. Ao avançar por fases, aprender com pilotos e trabalhar em parceria próxima com fornecedores e equipas internas, os responsáveis logísticos podem construir armazéns preparados para um futuro em que a disponibilidade de mão de obra e de espaço continuará a ser um desafio.

Fontes

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Sales of Service Robots up 30% Worldwide (International Federation of Robotics, 2024) - Indica que, em 2023, foram registados mais de 205.000 robots de serviço profissionais, incluindo 33.918 na Europa; mais de metade destinaram-se a aplicações de transporte e logística, com um crescimento de 35 % nesta categoria; o comunicado salienta que a escassez de mão de obra impulsiona a procura e que cerca de 44 % dos fabricantes de robots de serviço se situam na Europa.

International Federation of RoboticsVer Fonte
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Unlocking the industrial potential of robotics and automation (Femi Ajewole, Ani Kelkar, Dylan Moore, Emily Shao, Manju Thirtha, 2023) - Apresenta os resultados do inquérito McKinsey Global Industrial Robotics Survey 2022, segundo os quais operadores de logística e fulfilment esperam que a automatização represente 30 % ou mais do investimento de capital nos próximos cinco anos; identifica a movimentação de materiais, a paletização, o picking, a triagem e o controlo de qualidade como casos de uso chave e aponta o elevado investimento inicial e a falta de experiência interna como barreiras importantes.

Femi Ajewole, Ani Kelkar, Dylan Moore, Emily Shao, Manju ThirthaVer Fonte